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Welcome to my sweet nightmare



Coisas que só as rugas ensinam.

Morria de medo de ficar velha. Sério mesmo.
É tosco, eu sei, mas faz parte da cultura popular desprezar tudo o que é velho, achar que a velhice é o fim, é ser defasado, ruim, antiquado, quadrado,  careta... Atire na minha cabeça se algum dia eu acompanhar a novela das 8 (como diz um amigo meu), sintoma do que é velhice para mim.
Quando tinha uns 14 anos, tinha uma professora de inglês de 25. Ela era cool, esperta, descolada. Era o que eu queria ser na época. Mas nova. Achava que ela possuía toda a sabedoria do mundo. Por ser velha. Veja bem minha gente, velha! Achava que com 24/25 eu estaria casada, teria filhos, uma vida estável, uma casa e um carro. Hoje não tenho nada disso, por diversos motivos. Sim, me sinto um pouco fracassada. Não sou velha o bastante para tal responsabilidade. O pior foi que descobri que nunca serei. Achava que viver um ano a mais traria as responsabilidades, com uma fita vermelha, dentro da caixa de presente, assim...
Não vai acontecer nada disso, continuo a mesma bundona. Claro, os pensamentos mudam, atitudes, e tudo isso graças aos céus mas nós não percebemos nossas mudanças. Todo aniversário eu tiro uma foto minha. E como eu mudei. Eu não percebi, mas ganhei linhas de expressões, formas diferentes no rosto, pança. Estou envelhecendo. Claro, alguém mais velho que ver isso vai rir adoidado, assim como eu riu de uma menina de 14 anos hoje em dia, que se acha mulher. Mas nós não percebemos nossas mudanças.
Coisa estranha isso. Apesar das minhas novas linhas de expressão, dos meus quilos a mais, dos pedreiros não me chamarem de gostosa quando passo pela obra, do meu primeiro cabelo branco que eu não achei ainda mais está aqui, eu estou vivendo o meu melhor.
Gosto da minha liberdade sem responsabilidade, coisa de gente mimada, claro, posso?
Ainda tenho medo de envelhecer, mas agora vejo que serei bem melhor quando chegar nos meus 30.
E ainda torço para não ver meu cabelo branco perdido, porque as rugas do sorriso, já estão aqui!


Escrito por Mari às 14h58
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