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Welcome to my sweet nightmare



O homem mais bonito que eu já vi

Estava assim, sentado no sofá.

Tinha os olhos bem pretos, muito pretos, daqueles que dá até um pouco de medo de olhar.

E brilhavam. Ainda não sei qual o motivo, mas eles brilhavam.

Talvez porque fossem olhos verdadeiros, que não precisassem fingir. Não precisavam fugir de nada.

Vestia-se como não precisasse mentir. Assim, com roupas de ficar em casa.

Moleton, de cor escura, que a gente põe para ler livro antes de dormir, para fumar o último cigarro de madrugada, ver um filme de romance cult, depois de tomar banho, essas roupas de querer esquecer o mundo.

Tocava violão e cantava canções que agora fazem parte da minha vida. Coincidentemente, as ouvi quando estava com saudades, sem querer, fez lembrar de ti naquele momento.

Parecia um menino. Aquele menino que adormece no homem.

E estava lindo, peculiarmente lindo.

Num lindo que eu queria colocar numa moldura, numa beleza que me alegrou tanto que até deu uma vontadezinha de chorar.

E então eu quis te amar de novo, pela segunda vez na noite, pela vida inteira enquanto durar, e eu quis te amar todos os dias, porque era o menino que eu queria pra mim.

E sabendo que não era possível, ninguém pode ser tão bonito assim pra sempre, ah nem estava tão bonito assim, vai, resolvi que eu ia mentir para mim.

Porque eu queria te tirar do mundo de faz de contas, queria você verdadeiro para sempre, foi a primeira vez que te vi assim.

Vi-te sem máscara. Eu enxerguei você. E que alegria me deu isso!

Adoravelmente bonito, estava amavelmente lindo, pois era verdadeiramente você.

E como aquele momento foi eterno, pois ele não me escapa da lembrança, vem nas horas de saudades, vem nas horas de devaneio, vem no sábado de manhã, vem de encontro com a minha perturbação.

É a ambigüidade de amor confuso, de paixão platônica, de romance solto, com os olhos mais escuros que eu já vi na vida, foi o homem mais bonito que vi de presença...



Escrito por Mari às 14h51
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